Tecnologia encurta prazos, corta custos e sinaliza uma nova etapa da industrialização da moda, com impacto direto sobre fotógrafos e modelos. A Zara iniciou o uso de inteligência artificial para gerar imagens de modelos reais vestindo diferentes combinações de roupas, reduzindo a necessidade de novas sessões fotográficas. A iniciativa encurta prazos, diminui custos operacionais e amplia a velocidade de lançamento — um fator decisivo no fast fashion premiumizado que a marca vem construindo. Segundo a Inditex, a tecnologia funciona como complemento ao processo criativo, sem romper contratos ou comprometer a compensação financeira dos modelos envolvidos. Na prática, imagens-base são reaproveitadas e multiplicadas digitalmente, preservando identidade visual e coerência estética em escala industrial. O movimento não é isolado. Concorrentes como H&M e Zalando já utilizam soluções semelhantes para criar variações de looks, campanhas e catálogos digitais. A lógica é clara: menos estúdios, menos deslocamentos e menor dependência de equipes recorrentes, em um setor pressionado por margem e velocidade. O avanço, porém, gera ruído no ecossistema criativo. Associações de fotógrafos e profissionais de imagem alertam para a redução da demanda por sessões tradicionais, especialmente aquelas de menor orçamento e menor valor agregado — historicamente a porta de entrada para novos profissionais no mercado. Do ponto de vista estratégico, a adoção da IA se alinha ao reposicionamento da Zara. A marca opera hoje com menos lojas, maiores e mais sofisticadas, maior integração digital e controle rigoroso de custos. A tecnologia surge como ferramenta para preservar escala, estética e rentabilidade ao mesmo tempo. No horizonte, o tema deve ganhar contornos regulatórios. Direitos de imagem, remuneração, uso de likeness digital e limites éticos da automação criativa tendem a entrar na agenda de 2026. A IA deixa de ser experimento e passa a redefinir, de forma estrutural, a cadeia produtiva da moda.
CEO do PageGroup diz que IA muda processos, mas não substitui o fator humano no recrutamento
Em passagem por São Paulo, Nicholas Kirk defende presença física da liderança, alerta para riscos à formação de jovens talentos e reforça o papel do especialista em headhunting. O britânico Nicholas Kirk chegou a São Paulo em meio à agenda intensa que marca a rotina de quem lidera uma consultoria global de recrutamento. Do aeroporto de Guarulhos ao escritório no Itaim Bibi, foram três horas de trânsito — uma amostra do ritmo acelerado do mercado onde o PageGroup atua. Para Kirk, estar presente fisicamente é parte essencial da liderança em um negócio centrado em pessoas. A afirmação reflete a cultura do grupo, controlador da Michael Page, e ganha relevância em um momento de avanço acelerado da inteligência artificial nos processos corporativos. Segundo o executivo, a IA é uma aliada para ganho de eficiência operacional, mas não altera o núcleo do recrutamento executivo. Na sua avaliação, empresas e candidatos continuarão buscando a segurança de um especialista humano para orientar decisões críticas de carreira e sucessão. Kirk acredita que o recrutamento passará por transformações profundas, mas não pela eliminação do contato humano. O diferencial competitivo, afirma, estará cada vez menos no acesso à informação e mais na capacidade de aplicá-la com julgamento, contexto e experiência. O CEO também chama atenção para um risco estrutural no mercado de trabalho. A automação de funções de entrada pode reduzir oportunidades para jovens recém-formados, comprometendo a formação de lideranças futuras e a sustentabilidade dos pipelines de sucessão nas organizações. Apesar do alerta, Kirk evita um discurso alarmista. Para ele, a inteligência artificial substitui tarefas, não pessoas. O impacto real estará na redefinição do papel do líder, que precisará combinar conhecimento técnico, execução consistente e sensibilidade humana em um ambiente cada vez mais tecnológico.
Flávio Bolsonaro defende união da direita contra o PT nas eleições
Senador afirma que candidatura única pode evitar dispersão de votos e cita governadores e lideranças nacionais como nomes centrais no campo da oposição ao Partido dos Trabalhadores. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro defendeu a união da direita e do centro-direita para enfrentar o Partido dos Trabalhadores nas próximas disputas eleitorais. A declaração ocorre em meio às discussões sobre a formação de uma frente comum de oposição ao governo federal. No discurso, o parlamentar afirmou que divergências internas não inviabilizam a construção de uma candidatura única, desde que haja alinhamento em pontos centrais do programa político. Segundo ele, o foco deve ser a derrota do PT e a resposta à expectativa do eleitorado identificado com a direita. Flávio Bolsonaro destacou que a fragmentação de candidaturas tende a enfraquecer o campo oposicionista. Para o senador, a união seria estratégica para evitar a dispersão de votos e ampliar a competitividade eleitoral frente ao grupo atualmente no poder. No vídeo, o senador citou nomes considerados relevantes no cenário nacional, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, o governador do Paraná, Ratinho Jr, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo o senador, essas lideranças reúnem capital político e capacidade de diálogo com diferentes segmentos da direita e do centro-direita. A menção pública aos nomes indica uma tentativa de ampliar o debate sobre alternativas eleitorais viáveis fora do PT. O posicionamento reforça o movimento antecipado de articulação para o próximo ciclo eleitoral. A construção de uma candidatura unificada, no entanto, depende de acordos partidários, definição de prioridades programáticas e capacidade de coordenação entre projetos regionais distintos.
Governo compra 40 Smart TVs para sessões de cinema em presídios federais
Equipamentos custam cerca de R$ 85 mil, serão usados de forma coletiva e supervisionada e integram programa cultural da Secretaria Nacional de Políticas Penais. O governo federal adquiriu 40 Smart TVs que serão utilizadas em sessões coletivas de cinema nas penitenciárias federais de segurança máxima. A iniciativa faz parte de um programa cultural conduzido pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, vinculada ao Ministério da Justiça, com foco em ações de reintegração social. Segundo a pasta, os equipamentos passam por configuração técnica rigorosa. Não há acesso à internet, nem possibilidade de uso individual. Todo o conteúdo exibido é previamente autorizado, e as sessões ocorrem sob supervisão direta de agentes penitenciários. As TVs serão distribuídas entre as cinco unidades do sistema penitenciário federal. O custo total da aquisição foi estimado em aproximadamente R$ 85 mil. O valor, embora relativamente baixo dentro do orçamento público, concentrou críticas e questionamentos políticos sobre a alocação de recursos no sistema prisional. O debate público gira em torno das prioridades do Estado. De um lado, críticos apontam a necessidade de direcionar recursos para segurança, infraestrutura e pessoal. De outro, defensores da medida destacam o papel de atividades culturais como instrumento de disciplina, redução de tensões internas e preparação para a reintegração social. A Senappen sustenta que a iniciativa não configura benefício individual nem ampliação de direitos aos detentos. Trata-se, segundo o órgão, de uma política institucional alinhada às diretrizes da execução penal federal e às práticas internacionais de gestão prisional. O episódio evidencia um dilema recorrente na política pública: equilibrar rigor penal, segurança institucional e estratégias de ressocialização. Em um sistema historicamente pressionado por custos e resultados, decisões desse tipo tendem a seguir no centro do debate político e orçamentário.
CEO da TAG Heuer deixa o cargo em meio à turbulência do setor
Executivo, que havia assumido a posição em julho de 2025, encerra um ciclo de 23 anos no grupo LVMH em um momento de pressão sobre o mercado global de relógios. A TAG Heuer anunciou a saída de seu CEO em um momento delicado para a indústria global de relógios de luxo. O executivo havia assumido o cargo em julho de 2025 e deixa a posição após uma curta passagem, encerrando também uma trajetória de 23 anos dentro do grupo LVMH. A decisão ocorre em um contexto de desaceleração do consumo de bens de alto valor. O setor enfrenta queda de demanda em mercados-chave, como China e Estados Unidos, além de maior seletividade dos consumidores diante de juros elevados e incertezas macroeconômicas. Para a TAG Heuer, a troca de liderança acontece em uma fase estratégica. A marca busca equilibrar tradição relojoeira, inovação tecnológica e posicionamento frente a concorrentes que avançam tanto no segmento ultra premium quanto no de smartwatches de alto valor agregado. No âmbito do LVMH, o movimento reforça uma tendência recente de ajustes finos na governança das casas do grupo. A holding tem adotado mudanças pontuais de liderança para responder mais rapidamente às oscilações do mercado e preservar margens em um cenário menos favorável ao luxo aspiracional. Analistas veem a saída como reflexo da pressão por resultados em ciclos cada vez mais curtos. A expectativa por respostas rápidas contrasta com a natureza histórica e artesanal do setor, que tradicionalmente opera com horizontes de longo prazo. O próximo passo da TAG Heuer será sinalizar continuidade estratégica ao mercado. A escolha do novo comando deve indicar se a marca seguirá priorizando reposicionamento, expansão internacional ou eficiência operacional como alavancas centrais de crescimento.
Ela mostrou o caminho para o Brasil exportar quase US$ 1,5 bilhão em pedras naturais
À frente de uma articulação inédita entre logística, mercado internacional e gestão empresarial, Flávia Milaneze consolida o Brasil como fornecedor global de rochas ornamentais. O setor brasileiro de rochas naturais registra em 2025 um de seus momentos mais consistentes em termos de crescimento, estratégia e posicionamento internacional. As exportações se aproximam de US$ 1,5 bilhão, resultado de uma combinação rara entre demanda global aquecida, eficiência logística e gestão orientada ao mercado externo. No centro desse avanço está Flávia Milaneze, executiva que transformou uma empresa familiar do Espírito Santo em uma plataforma de conexão entre produtores brasileiros e polos internacionais de consumo. A atuação vai além da venda. Envolve inteligência comercial, construção de marca e negociação logística em mercados complexos. Um dos marcos recentes é a expansão no Oriente Médio, região estratégica para o setor de construção de alto padrão. A abertura desse mercado ocorre por meio de acordos logísticos inéditos, que reduzem custos, aumentam previsibilidade e ampliam a competitividade do produto brasileiro frente a fornecedores tradicionais. O desempenho do setor também reflete mudanças estruturais. Empresas investem em governança, padronização de processos e posicionamento premium. A rocha brasileira deixa de ser apenas commodity e passa a disputar espaço como produto de valor agregado, com design, rastreabilidade e sustentabilidade. Do ponto de vista econômico, o impacto é relevante. O avanço das exportações fortalece a balança comercial, gera empregos industriais e logísticos e consolida o Espírito Santo como hub global de rochas ornamentais. O setor ganha escala sem perder diversidade produtiva. A trajetória evidencia uma lição central para o agronegócio mineral brasileiro: crescimento internacional exige mais do que oferta. Exige estratégia, leitura de mercado e capacidade de construir pontes duradouras com o mundo.